toda a relação nostalgico-predatória de um vídeo antigo.
imagem simples. ela, de pijamas, sorridente. eles conversam, ela faz uma bricadeira com os peitos e ele a pede pra deixar vê-los. ela levanta a blusa e os mostra para a câmera. ambos riem. não há maldade na imagem, como também não há pudor, porque nem um nem outro lembraram de existir. há apenas o amor, em um quadro simples, banhado de toda a pungência da memória que a imagem desperta. apenas o momento que está lá, registrado e eterno, como o estava no momento em que criou vida. tem a malha dos momentos que duram para sempre, em cada centímetro cúbico de ar. e ele sente a imagem viva mas cruel, porque passada. porque nunca mais voltará, está lá guardada nalgum lugar que não se sabe onde, contruída de um material etéreo que não se sabe o quê.
ela deveria saber disso. saber que apesar dos atropelos que a engrenagem da vida cria, do cansaço e da dor, há também o gozo, à tangente fugidia, vestido em pijamas, andando descalço pela casa e levantando a blusa, sem medo da contrair gripe ou arranhões. existe a alegria de duas almas que se juntam, e juntas têm o poder de parar o tempo.
i just think you need time to know
that i’m the guy who’ll make it real
the feelings you don’t dare to feel
i’ll bend the world to your will
and we’ll make time stand still
mas tudo sempre vira mais um vídeo, andando de trás pra frente, no cortex dos cérebros tristes.